Antonio Anderson Souza | Foco no objetivo!!! Empreendedorismo, Ética, Tecnologia, Open Source, VoIP, Culturas, etc. estes são os assuntos que me consomem, e vou compartilhar o pouco que sei…

CAT | opensource

VoIP já uma tecnologia madura há um bom tempo, e atualmente já contamos no Brasil com várias operadoras de telefonia IP que fornecem serviços VoIP, mas infelizmente a maioria das operadoras do mercado são imaturas, e não contam com a infra-estrutura que uma operadora de telefonia necessita para prestar um serviço First Class, como nós clientes exigentes esperamos.

O serviço de telefonia fixa sempre foi um dos serviços mais confiáveis, até quando não tem energia elétrica o telefone funciona, pane na rede de telefonia fixa não um evento comum mesmo aqui no Brasil, portanto o grau de exigência das pessoas quanto a um serviço de telefonia é muito alto, e justamente por este paradigma de qualidade estabelecido, e pela falta de profissionalismo de várias operadoras VoIP, muitas pessoas acham que a tecnologia não funciona, mas ela pode funcionar muito bem, até melhor que a telefonia convencional (inclusive no quesito qualidade de audio), mas para isto acontecer existem uma série de fatores que necessitam serem levados em conta para montar um operadora VoIP First Class.

Vou começar a escrever uma série de posts com o objetivo de apresentar todos os aspectos necessários para montar uma operadora VoIP com foco em qualidade de serviço, com uma infra-estrutura 100% redundante e escalável de forma horizontal (bastando adicionar servidores), e como não basta-se tendo uma boa equação custo beneficio, pois esta infra é totalmente em servidores padrão de mercado e utilizando projetos Open Source.

Os seguintes tópicos serão abordados em vário posts subsequentes:

Infraestrutura da operadora:

  • Infra-estrutura IP
    • Topologia
    • Planejamento Fisico e Lógico
    • Implementação do Firewall em Cluster
  • Link de internet
    • Endereçamento IP próprio ou subcontratado
    • Roteamento
    • Largura de banda
  • SIP Server
    • Opensips
    • Banco de dados
    • Cluster
  • Softphones e Hardphones
    • Review dos principais Softphones e Hardphones do mercado
  • Billing
    • Sistema de mediação, rating, geração de fatura
  • Terminações
    • Interconexão com outras operadoras
  • Serviços de valor adicionado
    • PABX Virtual
    • URA
    • Discador Preditivo
    • Mensagem Unificadas
    • etc.
  • Aspectos legais
    • Licenças e suas variações

Infraestrutura necessária no cliente:

  • Infra-estrutura IP
    • Topologia
    • Planejamento Fisico e Lógico
  • Link de internet

A idéia é ter no mínimo um post por semana, e gostaria de fazer está série de forma interativa, ou seja aguardo os comentários de vocês para guiar a ordem dos posts, e os assuntos a serem abordados, se acharem que está faltando algum ponto a abordar deixa um comentário que será adicionado.

Qualquer dúvida sobre o assunto sintam-se a vontade para me perguntar via formspring ou email terei prazer em responder.

“A corrida para a excelência não tem linha de chegada.” David Rye

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Este post faz parte da série que descreve experiencias vividas durante o projeto de desenvolvimento do Basix, neste capitulo falarei sobre como foi a decisão de migrar a plataforma de Windows para Linux.

Nós na Voice Technology já somos adeptos do mundo Open Source há algum tempo, na Business Unit que gerencio 91% dos Desktops e Notebooks rodam Linux, o Ubuntu reina como a maior distro (só nosso amigo Masato-san, e a Daniele que ainda não migraram para o Tux!, mas um dia convenceremos eles…), mas nem sempre foi assim há 5 anos atrás não tinhamos um único produto que roda-se em Linux, ninguém utiliza-va Linux no desktop, nossos produtos todos eram desenvolvidos em plataforma Windows, utilizando Visual Basic, Delphi, C e C++, e rodavam exclusivamente em Windows.

Mas a história começou a mudar durante o Desenvolvimento do Basix (Plataforma de IP-Centrex que desenvolvemos em parceria com a Brastel), no inicio do projeto definimos que o Basix seria escrito em Java, mas até aí não existia nenhuma intenção de roda-lo em Linux, o Java veio porque estávamos em um momento de tentar consolidar todos os novos produtos em uma única linguagem de programação, e a escolhida havia sido o Java (estávamos com certo trauma da salada de linguagens que tínhamos), mas as primeiras versões do Basix rodavam em Windows, e todo o ambiente de desenvolvimento era Windows.

A decisão pela migração de plataforma de Windows para Linux veio quando fomos obrigados a montar uma solução de Cluster para o Basix, neste momento já tínhamos dois profissionais com muita experiência em Linux Ricardo Nohara, e Marcos Hack( os dois ficavam buzinando no meu ouvido trocentas vezes por dia para migrarmos para Linux), mas o desafio era muito grande pois a equipe de desenvolvimento não estava habituada com o Linux, e principalmente o nosso parceiro a Brastel quem iria operar o Basix não tinham nenhuma experiencia com Linux, e para piorar a situação eles estão em Toquio no Japão (há 12 horas de diferença de fuso horario, e a 18.533km de distancia), por conta destas dificuldades decidimos testar a solução de Cluster baseado no “Windows NLB” (Network Load Balance), e a solução baseada em Linux montada com “IPVS“e “Keepalived“, de cara descobrimos que nenhuma das duas soluções davam suporte a Cluster de aplicações SIP, ponto negativo para os dois, indo mais a fundo no NLB não encontramos uma forma fácil de customizá-lo para montar o Cluster para aplicações SIP, já neste ponto a solução baseada em Linux levou muita vantagem, pois o par “IPVS” e “Keepalived” é totalmente customizável, então conseguimos montar o Cluster para o Basix apenas desenvolvendo o módulo de Healthcheck SIP, e configurando o IPVS e Keepalived corretamente.

Este foi a principal razão para comprar a briga da migração do Basix para Linux, para convencer todos desta decisão técnica foi bem complicado gestores querendo analise minuciosa de risco, equipe da Brastel querendo treinamento, etc. já a equipe de desenvolvimento era só sorrisos afinal a garotada não trabalhava com Linux mas adorava aventura, mas tínhamos um álibi muito forte a solução baseada Linux era a melhor, e mais barata também.

Neste momento tivemos que preparar um curso de Linux para dar uma introdução para todas as pessoas que não tinham experiencia com o mesmo, este cursos foi ministrado para os membros da equipe de desenvolvimento que ficava no Brasil, e para a equipe que iria operar o Basix no Japão, o curso para o pessoal do Japão foi dado via conferencia.

A decisão de migrar para Linux foi um passo muito importante para entrarmos para valer na cultura Open Source a partir deste momento toda a equipe foi engajada no modelo de trabalho da comunidade open source sempre pensando em como compartilhar melhor o conhecimento, e não reinventar a roda, hoje podemos olhar para trás e ver o quanto é diferente este jeito de desenvolver conhecimento, produtos, inovações, etc. É muito gostoso olhar para trás e ver que toda esta mudança nasceu de 2 Geeks cabeça dura buzinando em nossos ouvidos, e nós um pouco loucos para comprar a briga da mudança (Graças a Deus que demos ouvidos a eles), e toda uma equipe por trás para apoiar tal mudança.

Muito mais gratificante ainda é ver que o Basix é realmente um produto inovador, e está provando isto em todos os mercados que está sendo comercializado, pois tanto no Brasil quanto no Japão cresce a cada dia, com ótimas avaliações dos clientes, e por trás de toda esta história de tecnologia produto e inovação está basicamente um grupo de colaboradores apaixonados pelo que fazem, trabalhando realmente como um time, e que são encarados como pessoas em sua plenitude, com qualidades, defeitos, que acertam, e erram como todos nós, aliás erramos muito, mas para aprender é necessário errar.

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